Para Mundu

Os vendavais às vezes se demoram por demais. Espalham os móveis, objetos, as memórias, nossos guardados, até a poeira nos cantos que nós mesmos esquecemos.
Ao sair deixam nossas ideias todas ali, soltas e desarrumadas. A ocasião torna-me cheio, pesado e sôfrego, com o impacto da saudade e dos vazios. Partes já desprendidas retomam meus espaços, as lembranças cortantes sangram já sem força, mas ainda dói, o suficiente para curar-me, até que vaze.
Entre momentos sinto uma sede absurda de vida, vontade me jogar num salto e voar...mas calma. Primeiro quero a leveza e essa eu vou beber aos poucos para prendê-la na minha parede mais densa, de gole em gole voltar a sentir-me folha para que flua.
E chegará, simples, a minha nova rota, o voo sobre a vida, meu ser de novo meu. Minha e minha.