EMovimento

A multidão se apavora com o risco
que berrem...
Ninguém impedirá o impulso da alma, além dela
Há tantos vícios, o medo do inseguro
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Alguma loucura é bem vinda
num tempo em que pouco ter-se-ia perdido

A vida merece sair da inércia,
mudar princípios, abrir novos ciclos
Um abismo que não mata, para servir à vida
Como chegariam as certezas, não fossem os mergulhos?

O tiro é rápido
O risco não...
Me atiro, destemida
Ou mantenho-me na varanda, debruçada sobre o sol de meio dia esperando o impossível, assistindo a vida se perder?

Agora já se foi, enterro lamento, sofrimento
todas as seções e seus cabides tortos
Abro portas,
e finalmente janelas me acrescentam

Estranhez

Espera, eu preciso dizer algumas coisas. Primeiro, a curiosidade alheia inferniza o meu dia, me deixa inquieta em não poder viver anônima e tranquila. Sempre alguém repara, tenta lê o que escrevo, observam para onde corre o meu olhar...o que querem com a minha vida, se de bom nada trazem? Me esqueçam. Pelo menos enquanto nada do que digo lhes é direcionado.
Tudo é tremenda solidão. Tem saudade e um coração que costuma sonhar com a ilusão de amar. Toda fraqueza nada tem a ver com o meu peito cheio, mas com silencios que transbordam, se espalham feito vento. Nada mais é certeza. Eu fui ver o mar e acordei com você à minha porta. Não tocaram sinos, nem ruido qualquer, só no peito o coração batia. Paradoxo. É um vicio. Acordar e dormir, nada é tão forte quanto a incerteza aqui. Sinto-me tão fraco para tamanho sentir. Vejo no ar, chegar e partir, sem entender o que acontece com o céu. O que há com as nuvens que parecem algodão, depois mudam de estação. Esta noite choveu, lá fora e aqui dentro, sequidão. Sinto o peito encharcado. Gota nenhuma sai, o líquido escorre para dentro. Queima kilômetros com seu veneno, as frases que engasguei. Enquanto não descarta a virtuosidade de amar. Mas o que faço dessa tal coragem que só nas palavras habita? Por certo, é o medo de ir e quando olhar pra traz e ver que o que sinto ficou ali, num tempo que se foi. Medo de deixar o que ainda é motivo de pulsar. E pulsar é tudo que mais amo. Mesmo quando amar dói. É uma fraqueza, ou então é fortaleza da qual nunca me dei conta, antes de agora. Embora saiba que o que mais tento enxergar é como me encontrar, e fazer de mim o meu guarda volumes, as minhas rodas de andanças, o meu silencio e cantoria, o despertar definitivo que dura não mais que um dia, uma frase. Importo fragmentos externos para frasear as minhas impressões, tão turvas quando óbvias do que não sei se é pressa ou calma.

Avanço em retrocesso

Precisava deste silêncio
as três da manhã
não sei bem pra quê

Parecia um óbito
sem corpo
a morte do tempo

Merecia janelas
abertas como aquelas
convidando a luz


O cinzeiro cheio
o copo vazio
Tudo extremo, do gozo à melancolia

Mas o que é que eu vim dizer?
A insônia, o atoismo
Nada parece ter sentido

Agora que tudo já não é
E nada parece ser, vou deitar
Adormecer os males, meus mares

O que é poesia, melodia
e o que que deixou de ser
Vai saber

Proposições na leitura das entrelinhas...

"Considerar possibilidades.."

Desconsiderando certo e errado
não tenho certeza do que é real
ou utopia
as ideias rodopiam, sem assumir lugar
Servem-se das sensações indefiníveis
Gotas suadas em relato particular envolvido de doce mistério
Gota sentida, cúmplice do desconhecido que não habita.