Redenção

Posso, a meu modo, despedir-me?
Um jeito assim inteira, toda,
para que parta conforme concebi
Despertar uma paixão, só se for assim
único critério, o encantamento.
Me encantei.
Desde sempre, quando ainda não sabia
Estremecia-me por tudo o que havia
tudo que eu podia ver, em ti
Desde ai, deu-se o meu novo caso de amor
Porque antes, eu te olhei
-comigo funciona assim.
O desejo chamou seu nome, soprou sua cor
e ladino, cravou-o no átrio, onde a alma faz morada
e também só ela alcança.

Acontece que uns casos nada acasos
-feitos de substâncias mal conhecidas, deixo quietas-
algo começou a cair, arruinando
feito vento subitamente suspenso, empoeirando
acumulou, nos pesou na carne

Até alguém não poder mais, enfim
Sem tripulação, o barco desgovernado
Impaciente, sofre o desamor, a própria dor
Inconstante habitante do céu e do inferno
tempestades e calmaria
entre choro e risos de um vapor eterno

Sou toda coração.
Não se engane
que fácil é chupar manga e assobiar ao mesmo tempo
Quem me encontra, se me quer descobre
sólida e impenetrável
Sei negar a mim, digo não, sim!
Quererei a alegria dentro do coração
Não nasci para amar sozinho.

Ganhar não é via de regra, é parte no caminho
Abro mão, dou a vez ao destino

O apego me agride, insiste, esfrega seu rosto
seus lábios, olhos, pele, cheiro, voz,
os seus e suas,
nos mais borrados pensamentos meus
Eu pisco vai, mas volta. Aceito.
É nítido, de domínio particular, não meu.
O que cabe a mim são pequenos passos, diários
tento não pulá-los. Estando assim confortável
cada movimento, em cada curva que descubro
além há mundo, possível e oportuno
Metade razão, vou
Falta pouco, a metade que pulsa em frases compensatórias
reconhece o amor desprendido
no passado de quase agora
Tempo, vigia do rebento
A luta entre a partida e o alcance

Se nada que é meu se render
Terei que encontrar um meio
fazer o caminho da morte...voltar a ser-mente
te esquecer. Renascer

Quero amor. Quero amar.

2 comentarios:

  1. borrados
    teus pequenos passos
    a despedirem-se,
    pedirem

    eu perdida
    nas substâncias do encantamento
    lendo despedaços
    do teu estremecimento

    dou a vez, a voz, a ti
    a teus acasos empoeirados
    ao vapor da carne

    me apego, me esfrego
    a teu verbo desgovernando
    chupando a manga
    partindo (a ida, o gomo):
    teu triste assobio.

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  2. é o que mais quero.
    tá tão lindo,sublime...

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