Doce liberdade

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Não! Eu não costumo usar as rédeas
gosto do frio que dá um arrepio por dentro
quando a velocidade assume o controle
me despreocupo, rio fácil
deslizando sobre o vento...

Me usam as selas somente quando é preciso
sentar corretamente, ser cortês e coerente
me vestir de sociável
__para chegar aonde eu quero... lugar este que não chega nunca, é mesmo pela trajetória__
e tentar ser razoável...

É compreensível
que moldes se mantenham
e feito gesso, transformem os passos imperfeitos da gente
numa quase estátua viva, milimetricamente programada
com seus repetitivos movimentos
bate-estaca
obedecendo submissa
aceitando sem luta o destino já traçado...

Se eu sou 'pré' destinado
__e não é nisso que eu creio, não cegamente__
de certo que me cabem um lindo céu para teto
e a relva colorida na paisagem me serve de caminho
para que eu possa sentir desenfreado o vento nos cabelos
sobre a face, eriçando meus pelos.
Galopar por veredas ignoradas
desbravando o sobrenatural
além do espelho
por meus olhos ou minha intuição
tirar a armadura
e mergulhar na profundidade de pequenos prazeres
sorrir satisfeita por um momento...

Antes de voltar à rotina
e conquistar o que ainda me falta.

2 comentarios:

  1. Adorei muito esse teu rabisco. Muito mesmo.
    Após a leitura, me recordei de um trecho da música de Zeca Cabeleiro chamada "Flor da Pele":

    "Barco sem porto
    Sem rumo, sem vela
    Cavalo sem sela
    Bicho solto
    Um cão sem dono
    Um menino, um bandido
    Às vezes me preservo
    Noutras, suicido!"

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  2. as fases todas,,, reunidas, não formam quase nada.

    Continue escrevendo, afinal estamos pra nos conhecer e alterar as coisas não é o objetivo principal ;-)

    Bjs e reflexivas invenções!

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