Ponte

Enquanto fagocito
rijo músculos, sedentos
sofrendo
no exato momento em que encontro
a firme certeza de nada

Se lá, devo acatar comer
ser fruto, obedecer
Se cá, 'tô' frito
mandos e ditos
regra clara teus contrastes
exímios, mandantes
aflitos

Por suposto, sumir é fuga
ou alívio
Deixar ir a confusão
abrir mão do tempo
fazer a vontade, acatar o coração
ora esta também se faz corte
fina estampa da morte
a outra face

Enquanto fagocito
convivo com o velho e o novo
choro lágrimas de dor e vontades
na pele sensibilidade
quem já passou nesta ponte
entende este caminho


.........................................

Espinhos

Dos espinhos que ferem
e exalam o que é flor
falam pelo cheiro
os sintomas que ardem superfícies
da pele, e com febre
denunciam o que o silêncio teima
grita para dentro, noite
primavera, dia

Passados
passos, sentidos, sabor
endurecem o que se chama amor
mas não ficam, passam
passado e cor, desbotam mágoas
empalidecem a dor
de novo,
amor... nascido, fale
sido
o que for, pretérito
imperfeito que é
vazou
por debaixo deste
ponte, tapete, chão
Muda o curso, sem aviso
nem selo, aberto, vai furando
rasgando todo
qualquer tecido,
madeira, carne, flora, águas
tudo é fresco, por mais que antigo


Todo amor espinha, toda vida exala
o céu de um deserto
Aprender é uma face
um talho
atalho
Nada possuí
existe o avesso
O que é vivo, por existir
e nada mais

4 comentarios:

  1. tudo o que é vivo
    aprende
    desde cedo
    o que é dor

    e, mesmo os que não tem espinhos
    podem causá-la

    ----------------------------------


    Marrí!!! Saudade de vc, qrida!!! =D



    =*

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  2. Be, já dizia o poeta, quem quer a flor, aguente o espinho...Na vida temos sempre os extremos, td pode mudar!
    Belo blog, parabéns!!

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