Ponte

Enquanto fagocito
rijo músculos, sedentos
sofrendo
no exato momento em que encontro
a firme certeza de nada

Se lá, devo acatar comer
ser fruto, obedecer
Se cá, 'tô' frito
mandos e ditos
regra clara teus contrastes
exímios, mandantes
aflitos

Por suposto, sumir é fuga
ou alívio
Deixar ir a confusão
abrir mão do tempo
fazer a vontade, acatar o coração
ora esta também se faz corte
fina estampa da morte
a outra face

Enquanto fagocito
convivo com o velho e o novo
choro lágrimas de dor e vontades
na pele sensibilidade
quem já passou nesta ponte
entende este caminho


.........................................

Espinhos

Dos espinhos que ferem
e exalam o que é flor
falam pelo cheiro
os sintomas que ardem superfícies
da pele, e com febre
denunciam o que o silêncio teima
grita para dentro, noite
primavera, dia

Passados
passos, sentidos, sabor
endurecem o que se chama amor
mas não ficam, passam
passado e cor, desbotam mágoas
empalidecem a dor
de novo,
amor... nascido, fale
sido
o que for, pretérito
imperfeito que é
vazou
por debaixo deste
ponte, tapete, chão
Muda o curso, sem aviso
nem selo, aberto, vai furando
rasgando todo
qualquer tecido,
madeira, carne, flora, águas
tudo é fresco, por mais que antigo


Todo amor espinha, toda vida exala
o céu de um deserto
Aprender é uma face
um talho
atalho
Nada possuí
existe o avesso
O que é vivo, por existir
e nada mais

De parafusos e cegos

A vida,
me disse uma vez um certo José,
-com jeitos de mago-
é um parafuso de passo finíssimo,
basta um aperto mínimo
e pronto: está feito o estrago.

A vida é um parafuso de passo muito fino
(e eu acredito).
Assim fácil o fio se lhe rompe
e o curso se torna infinito


De Moacir, poeta em tempo integral que expõe no blogdesete.blogspot.com

Mil Pedaços

Eu não me perdi e mesmo assim você me abandonou
Você quis partir e agora estou sozinho, mas vou me acostumar
com o silêncio em casa com um prato só na mesa...
Eu não me perdi
o Sândalo perfuma o machado que o feriu
Adeus, adeus, adeus meu grande amor
E tanto faz de tudo o que ficou
guardo um retrato teu

E a saudade mais bonita

Eu não me perdi e mesmo assim ninguém me perdoou
Pobre coração - quando o teu estava comigo era tãobom.
Não sei por quê acontece assim
e é sem querer
O que não era pra ser: Vou fugir dessa dor.
Meu amor, se quiseres voltar - volta não
Porque me quebraste em mil pedaços

.Renato Russo.
.


Tá!
Hoje não deu muito certo, não pintei nem rasguei papel... hoje eu acordei com as lembranças, e elas me acompanham por todo o dia, até aqui (são 15:50h). Não cumpri um trato, não cumpri vários, não, hoje eu desviei a ordem passei por cima dos espinhos, dos ovos, das flores, fui conferir o outro lado do rio... e por horas venho nadando em suas águas, fortes e claras... águas que cantam o som da tua voz, que não ouvia mais... rompeu-se o silêncio para um breve momento. Não sei de nada mais... pensei ser o vazio necessário para atravessar a solidão desta estrada, que nada! Você me desnorteia sempre que estou seguindo... tem nada não! Eu continuo de pé e se cair, levanto outra e outra vez! O que me importa é marcar com vivacidade e coragem o caminho onde eu pisar, tocando o coração das pessoas que eu, por ventura, encontrar...


Faça de mim, Deus, uma pessoa mais forte*
.

Tudo

“Tudo na vida tem um começo, um meio, e um fim. O amor também tem um começo, um meio e um fim’. O amor é e sempre será algo independente da nossa vontade autoritária. O negócio, então, é fruí-lo enquanto dura, depois esquecê-lo quando acabar, saber ficar curtindo a solidão porque, quando ele quiser e a gente permitir, então ele volta de um outro jeito, com um outro gosto, tão diferente, mas tão belo sempre. A melhor coisa da vida, para mim é, sem duvida, entregar-se e nunca tentar desvendar esse mistério do amor”.

(Roberto Freire)

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


O cara disse tudo!
E agora?
É viver e permitir livremente a passagem do amor, uma dádiva.


Minha nossa! Estou TÃO comunicativa hoje! rs...
Um buracão sem tamanho.oco.solidão.

Ecos

Lá vou eu rasgar e amassar papel
.silênco.ssshhhhhhhhh.


ssshhhhhhhh

.
.


Seguuuuuuuuuuura coração

Impulso de olhar, estreitar o leito deste rio que não me alcança, mas detém...

Vim escrever, que tá na hora da ansiedade bater, não vou roer unhas (estão bonitas pintadas) nem quero (muito menos!) desatinar a comer minhas vontades aff..............
Sem poesia ou qualquer demagogia, é pintura, leitura fresca do que de fato me alcança. Mais uma cor para a aquarela, hoje vou de amarela... e não é para rimar, é por vontade que seja! Mesmoooo!

Pronto, acho (?!) que aliviou... e não vou me gastar!


Mergulho na profundidade presente nos olhares, nos azuis, no que tem gosto e cheiro. Quero nas entranhas misturas do que me acrescentar, me alegrar.



.Uma outra forma de ver o caminho e por ele passar.Franca.mente.





.Que assim seja!Amém.



:

Águas°

Águas me invadem.....................
......................................
..................................................
Sentimento suspenso, até ordem que mude
Não vale o que penso
não sou mais que um processo de impulsos
num instante devorando minutos
Só cânticos e pássaros em línguas de mistério
Misturados aos meus sons internos
Coloquei o coração numa cesta
decorada com lírios e cores
levei para ribeirinha e por lá deixei
de ser, para ser levado
Se águas me invadem
de tormentas e paz
as mesmas águas hão de curar-me
de incêndios, sequidão

Estou no espaço entre o que é
estado, matéria, coisa, tempo, chão
e àquela canção
timbre, montanha, viagens, cume, amplidão
o encaixe exato entre o início e o ciclo
Entre os verdes floresta
e o vermelho que era paixão
Memórias, cárcere
pedaços dos lugares
que pousam feito pequenos voadores
Caibo em pedaços desprendidos de mim

Espinhos que ferem, furam e vazam
meu co-existir
Vida noturna inventada
Episódio criado para distrair
Prostituindo desejos, cato estilhaços de espelho
revelo-me sem medo, sou nu
percurso da estrada em curvas sob chuva
clarão e sinais
Exposto ao tempo
em abandono, perdido
num frasco de vidro, sem tampa
exalando o cheiro de fim
um olhar visivelmente caído
varrendo com os cílios, fragmentos
o passado do presente ainda corta rente
o futuro do passado,
que não sabe, não saberá
servindo de curso para a correnteza
das águas de um rio.........................
.......................................
.....................................................