Conto

.

Em miúdos
planam poeiras
sopram frases, silêncio e ventanias
invisíveis pedaços
empalidecendo o dia
enfraquecendo o tempo que ainda resta

De agudos
rasgam verbos tontos
costuram explosões no peito
esfregam tortuosa tez
assistem platéias inteiras
ruas varridas por faróis que cegam sem luz

Além do que se vê
vê-se pequeninos
recolhidos nos cantos dos olhos
encolhidos na palma das mãos
doidos, são pequenos pontos
por vezes, contos
que contam as horas
no escuro
saltam no ar
querem tudo que tempo não lhes pode dar...

Emaranhando-se por entre as digitais
de todos os carnavais

Do amanhã
Que amanhã?
Não temos, não há
é poeira, plano, futuro
Sorte (preparo)
ou azar (preguiça)
.

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