Devir

No passo da hora, mataram-me o instante
A vida que havia por dentro, agora sepulcro
Jaz.
Nem escrever eu consigo
Meu universo está feito tronco, distorcido
Tão morta, eu ainda vivo...
A máquina de acordar e dormir, em mim é o que funciona
a mil, não descansa
atônita, nem cansa
Qualquer hora, desperta, acesa feito a lua
vinte quatro horas
do tamanho que cobre o céu destas noites.
Se alimenta da dor, para saber suportá-la
Com olhos cristalizados
de pavor, arregalados
Às vezes, desespero e dor.
Em outras, calmaria.
Sem calor
nem poesia
Olhos molhados
sem rima
Dançam etéreos
sem som
Música me dói, me lembra
me leva a paz
me deixa sem mais...
Choro em amargos goles, me unha por dentro
Encharca de cor viva meu peito
que de vazar, morre.
Vida e morte, juntos
Se aprontando para o fim de uma. Complemento em guerrear
Meus ouvidos te escutam tempestade
Meus olhos vêem sua força, infinito
Minha mente pensa o que eu desisto
Minha alma sente e eu insisto
Meu coração sangra. Anseia vir a ser uma vez
outra vez
um pincel de colorir...

Filho da perseverança, de quem jamais desiste
Em pedaços, prossigo
Agradeço por existir o dia e fazer tudo novo
Em histórias que virão
que farei, faremos
devir...

3 comentarios:

  1. lindo...flui em notas largas tuas palavras.

    É doce quando uma palavra nos leva desordenadamente a outra, e somos levados, assim, pelo difuso curso das palavras.

    É doce fazer das nossas tristezas e alegrias palavra viva, que de tão viva nos insiste a viver...

    beijos vivos, incandescentes e perfumados.

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  2. nossa, marrí.

    lindo. in-tenso.
    forte.

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