Avatar

Hoje é o dia que possuo
Vivo como se fosse o último
O primeiro dos meus dias
Jogo-me para dentro dele
Me levo em seus encantos
Choro por dentro suas dores
Envolvo-me em tudo o que é seu
O Crepúsculo, um breve momento, uma prece
O Dia, oportunidade
A noite...
Quero somente o despertar da intensidade
O que a mim for inquietante
Incessante
Tenho fome, a quem me entregar assim?
Alguém que me intensifique mais e mais
Até o infinito, como o eco de um grito.

Meu não à natureza semi-viva
Uma vida morna, sepulcro
Hiato, medo, paralisia
Do oposto, um rasgo, a febre
Metamorfose do tempo de um ‘quase’
Depressão é o sufocamento dos desejos
É meio suicídio.

Tateio as paredes úmidas do meu lugar
Em busca da coisa minha, alma
Avatar!
Aqui, no templo que habito
Corpo meu.
Meus instintos querem se doar
Sem amanhã, eu faço a canção
Embalando o movimento, minha dança
É agora meu momento
E tudo que for para mim e só para mim
Que seja. E seja já!
O que não for
Deixa. E faça-o já!
Repito, 'eu posso me salvar'

Numa ilha

Pisquei, me distraí
Não vi
Aonde foi parar meu coração?
Dono de si...
Desejo na contra-mão
Palavras não valem o que pode ser a ação
Diz-se sobre a salvação:
‘Sem fé sua obra não tem razão’
Opino então, o que é a fé desacompanhada?
Solidão.
Inspiração
Deus, meu deus, estou perdido
Outra vez.
Sensível, como pétala de flor

Quantas vidas será preciso para encontrar...

Particípio

Excesso, valia
Temores, entrega
Acordes, refrão
Raiva, oposição
Imposto, violação
Pecado, prisão
Idéia...

Valores, colocação
Fim, um novo começo
Sentido, acentuação
Vermelho, paixão
Ponto, continuação
Paciência, respiração
Língua...

Fé, verdade
Cópia, desperdício
Futuro, projeção
Água, da fonte
Amor, virtude
Amar, plenitude
Liberdade...

Nudez, cama
Respeito, sucesso
Ervas, natureza
Vida, caminho
Sonhos, destino
Música, viver
Segredos...

Crivo, livre arbítrio
Eu, todos
Viseira, defesa
Fatores, proteção
Olhos, da alma
Voz, orientação
Sinais...

Etiqueta, descrição
Papel, burocracia
Arte, criação
Novo, presente
Origem, infinito
Partícula, indivíduo
Saudade...

Vazio, ecos
Marca, preço
Supra sumo, o avesso
Frente, verso
Dentro, pensamento
Guia, reverência
Sentimento...

Autoridade, obediência
Direito, PROCON
Juízo, consciência
Mágoa, demolição
MIL, expressão
Cores, estação
Caráter...

Dentro

Há dias em que engolir toda a terra não me saciaria. A sede do mundo é o que me seca, o que me falta de substancial, o mesmo que me sobra e eu não posso, não sei dizer. Um complexo justificado por um conjunto emaranhado de emoções e confusões mentais, lutando para transpor este lugar. A mente forçando-se a ir além, ao desconhecido. Algo como um céu, tal qual o abismo. Um lugar que não existe, posto que não se alcança. Não chega. É vôo sem pouso. É uma idéia que existe, se rompe, expande, me acrescenta células e transmuta meus átomos, ela própria me toma nos braços, atravessa meus olhos na intenção de saciar-me. Porém não há átomos, nem terra e toda idéia, que preencham o vazio de universo, que quando quer faz de mim sua morada...

Baile de máscaras

Rompante, o recado é sua presença
Pierrot ou colombina
Protegidos, sua segunda pele
Pintura fina
Embaçado o olho tenta...

O repente que anuncia sem querer
As luzes podem cegar?
Reflexos, fora do espelho
Emoldurando a cor da paz
Revelam o que há pra detrás

O que nem focado o olho vê...
E para enxergar?
O alvo, a seta
Sangra a quem veio doer
Diz-me, porque?