Vozes

Não sei das idéias
Não são minhas

Um incomodo
Fisgando meu olhar
Em cada ‘canto’

Dono do seu nome é o silêncio...

Traços

Contida num só vôo
Toda minha emoção
Que leva e traz lágrimas, sorrisos e algo mais
Me faz crescer, feliz me faz

Alicerce, a razão, se há
E pés fincados no chão
Expandindo meu centro, coração
Seguir o relógio em paz

Sou um pássaro pequeno
Asas e sonhos
Feitos em tintas coloridas
Minhas sete vidas

Vontade voar me perder
Até encontrar
Sumir entre montanhas
Beber de águas sagradas

Quero ninhos aquecidos
Delicados, franceses...
Romances feitos de risos
Uma tela que a vida pinta em aquarela

Quero a alma livre...

...por hora.

...
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...

...

Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo
Indo e mais fundo
Tins e bens e tais

(Podres poderes/ Caetano)

Sonhos

Hoje quando acordei, no primeiro instante de lucidez
Enchi meu peito com todo oxigenio que pude
E, lenta e levemente respirei...
Estiquei braços, pernas e tronco, como nunca fiz antes
Me espreguicei! Com vontade de expandir-me.

Hoje quando acordei, senti um súbito e absoluto desejo de voar com a felicidade...

Badulaques

Em nome das lembranças
Intimidade no uso de pronomes mudos
Enfeites perdidos na memória desbotada
Mitose instantânea, infecunda
Núcleo partido de um átomo
No ar, poeira antiga e abstrata
Soprada de volta ao seu lugar
Por uma brisa fresca e ingênua
Chamada presente...

Declaração

'Sinto-me ainda mais ‘musical’... necessito de sons me embalando a vida e marcando os acontecimentos. Há em minha mente duas palavras insistentes hoje. Uma é gratidão, a outra, emoção...


Brindo à casa
brindo à vida
meus amores
minha família...

Atirei-me ao mar
mar de gente onde
eu mergulho sem receio
mar de gente onde
eu me sinto por inteiro...

Eu acordo com uma
ressaca à guerra
que explode na cabeça
e eu me rendo
a um milagroso dia...

Essa é a luz
que eu preciso
luz que ilumina
cria e nos dá juízo...

Voltar com a maré
sem se distrair
tristeza e pesar
sem se entregar
mal, mal vai passar
mal vou me abalar...

Esperando verdades
de criança
um momento bom como
voltar com a maré
sem se distrair
navegar é preciso se não
a rotina te cansa
tristeza e pesar
sem se entregar...

Interesses na Babilônia
viram nevoeiro
poços em chamas
tiram proveito
passa, passa, passa
passa, passa passageiro
A arte ainda
se mostra primeiro...

Uma onda segue a outra
assim o mar olha pr'o mundo

(Mar de gente – O Rappa)

Enquanto isso...

Enquanto isso
anoitece em certas regiões
E se pudéssemos
ter a velocidade para ver tudo
assistiríamos tudo
A madrugada perto
da noite escurecendo
ao lado do entardecer
a tarde inteira
logo após o almoço
O meio-dia acontecendo em pleno sol
seguido da manhã que correu
desde muito cedo
e que só viram
os que levantaram para trabalhar
no alvorecer que foi surgindo

(Enquanto isso - M.Monte)


"Quero ter e ser tudo, tudo ao mesmo tempo. Compreender o universo em mim"

Dias auto-falantes

De toda maneira o mundo se descaracteriza bem aqui, à minha frente. Proximidade inexistente, fraqueza da gente. E o pedregulho gigante que incomoda a carne e pára na mente, corta a corrente. Mandinga, idas e vindas. Parafuso frouxo nas sobras do que já se fez. Risco inerente, o excesso de quem cala. Confusão se faz constante, e não obstante, cria-se a eternidade que divide o nós, pontua capítulos, espaços suspensos, indescritíveis, ouso dizer inentendíveis. Ausência da pureza, santidade, um deus. Digitais perdidas, procurando o seu lugar... Gotas, semente, frutos ou nada simplesmente. Aquela certeza da voz a procura do sim, se engoliu.

Poética, linguajar comum, com ‘falo na fala’, esse é meu tom.

O novo caminho

O bem circunda-me e cuida do que é meu, pois estou a voar livremente sentindo a brisa fresca que vem do mar. Passeio agora de mãos dadas com o amor e nada é maior que o meu viver!

Quem pode ser, seja o que quiser!

Ar

Vida, eu a convido, entre! Desfie meu destino.
Não quero saber, LIBERTA-ME!
Me leve em tuas asas e ventos infinitos. Quero o silêncio e os sons, e intensidade para descobri-los. DESATA-ME! Sopre num golpe de ar tudo que de mim puderes sugar, transborde minha vida de alegria. Enxerta minhas entranhas com teus avessos e delícias. Mova-me com paixão. Beba em mim oceanos, que eu tenho sede maior. AFOGA-ME!
Eu posso me salvar!

Sintomas

Meu silêncio absoluto cospe o maior dos gritos
Deixando-os surdos, pobres de espírito
Vapor oriundo da febre mental, precoce e infernal

Percepção epitelial, consciência emocional
Aspectos práticos, recursos necessários
Num quotidiano neurótico e repleto de atos falhos

Sem preguiça, eu agito as aparências circunstanciais
Meus intentos eu nem penso em postergar, arrisco sem piscar
Não há medo que faça eu voltar meus passos nem me faça olhar pra trás...

mude.blogspot.com

Assim como Nietzsche, você precisa ter intimidade com Deus e ser livre nas coisas do Espírito para suportar a intensidade do meu grito e a paixão escandalosa que eu tenho pela Vida. Tem que adorar o que é proibido e ser predestinado ao Labirinto que vai além do que é normal. Tem que ter ainda a doce experiência simultânea de sete solidões maravilhosas, dois corações completamente enlouquecidos — e os olhos abertos para ver o que está mais longe. Senão, você não me compreende.
Mas compreender-me não é imprescindível.
Interessam-me as tuas emoções.

Autoria de Edson Marques.

Sem sentidos

Meus pensamentos voam pra longe
Criando novos lugares em meu ser
Me levam pra perto de ecos, arrepios sonoros, distantes
Barco a deriva, ultrapassa a linha do meu entendimento.
Me estico, espio a fresta deixada em mim
E mesmo assim não enxergo o que vem de lá
Lá de fora, não consigo entrar
Minha voz emudeceu, as idéias sumiram
Deixando apenas meus olhos, que percorrem o céu
Procurando no infinito o eco do grito...
dia da saudade...

Aonde está o saber?

Parar pra pensar, matutar e perceber
A âncora amarrada ao pescoço
Mergulhar nas profundezas do oceano
De corais e calmarias mentais
De cabeça para baixo
Vendo tudo ao contrário
Para sobrar o que?! ou sobrar nada!


Divergências impróprias
Fatos, donos de sí, que afogam intenções
Desmancham as razões
Abismo, num raio de '50cm'
Abandono da fé, solidão acompanhada
Montanha erguida sobre o nada
O ápice do conhecimento,
É aí que se perde o alcance,
Lamento


A claridade do céu esconde a imensidão do véu
Fraquezas expostas, que a noite traz
Deixa aparecer o avesso do ser
O que se pode fazer?!
Seguir, as respostas não batem à porta
Estão aonde os passos vão chegar
Pensar é pouco pra saber...