Direção

Ao ler a linha da vida, na palma das mãos escrita
Aprendo a ter cuidado no caminho de ida
Escolher o bem, e semear...
Poeiras da estrada, que nem água da chuva pode apagar

Meu ideal, galgar degraus num impacto absoluto, reto
Preservar a plenitude e a leveza do andar, para não ter que voltar
E refazer alguma parte de um passado borrado, o tempo é precioso demais
Feridas não matam, mas rebocam a paz do tempo que virá

Pegadas, marcas eternas que o olhar do dono há de enxergar
Resquícios de histórias vividas, opções diversas, infindáveis
Fragmentos, relíquias, retalhos, toda forma de pensar
Costura de viver uma existência ímpar...

Desencapada

Ou será o universo fazendo valer o seu poder?
A cabeça fervilhando aguçada, os olhos inquietos
Quebra-cabeças, matéria difícil, leitura incompleta
No mar, gotas desconhecidas
Mistério da vida

Simples, vento sem poeira, espelho e sua imagem
Quem sou eu, quem é você? Eu leio para aprender
Me rasgo num processo indolor, sem limites
E reinvento se preciso for, libertar o pensamento
Mastigar o desconhecido

Ou será sua existência, ensinando-me a viver!
Desmoronando as muralhas de uma era antiga, distante
Exorcizando fantasmas, que correm de nós assustados!
Me despir dos medos é fortalecer meus pilares
Expandir meus ares

Complexo, cavidade funda, caminho estreito, afiado
E grão, me entrego ao plexo de ser seu par, eu digo sim!
Me banho em águas para sorver seu encanto de fogo
Tomo posse do meu mundo e me torno um oceano
Vida de fundo do mar