Hoje eu respiro amanhã, sem dormir, o céu da boca em cócegas. Tudo plenamente livre e próximo...

Imorais (Christiaan Oyens e Zélia Duncan)

Os imorais
Falam de nós
Do nosso gosto
Nosso encontro
Da nossa voz

Os imorais
se chocam
por nós
Por nosso brilho
Nosso estilo
Nossos lençóis

Mas um dia, eu sei
A casa cai
E então
A moral da história
Vai estar sempre na glória
De fazermos o que nos satisfaz

Os imorais
Falam de nós
Do nosso gosto
Nosso encontro
Da nossa voz

Os imorais
sorriram pra nós
Fingiram trégua
Fizeram média
Venderam paz

Mas um dia, eu sei
A casa cai
E então
A moral da história
Vai estar sempre na glória
De fazermos o que nos satisfaz

Canais Olhos e Janela abertos!

Sem destreza absoluta, indivíduos
A humanidade e toda sua complexidade
Protagonistas ou meros transeuntes
Fazendo historia ao passo possível das pernas
Obra inacabada, em constante formação
Tinta e pincel desenhando uma aquarela

Hoje existe uma janela, ontem era só o contorno dela
Uma aventura feita em arte, pular a janela
Braços e sentidos absorvendo o mundo inteiro!
Mantendo aberto o caminho percorrido...
Escritos na memória, a janela é a moldura da tela
A passagem entre mundos distintos

Olhos são lanternas clareando a estrada
Olhos não mentem porque não falam
Olhos nos olhos se entendem
Olhos atentos acompanham o movimento
Olhos distraídos, a um passo do abismo
Janelas são os olhos da alma,
(I)limitando o ser à sua própria dimensão

Impotência

Vontade correr
Vontade sair, sem rumo
Vontade sumir, gritar
Vontade mergulhar de olhos abertos
Vontade viajar, voar
Vontade ser invisível, imperecível
Vontade chorar, até secar
Vontade me perder
Vontade te encontrar
Vontade não ouvir, não falar
Vontade preencher um vazio, me soltar
Vontade dançar
Vontade burlar o tempo, pular um dia...
Vontade antecipar meus estímulos,
Vontade tirar da garganta o ‘nó’ que me faz engasgar
vontade não ter vontade de muito do que eu tenho vontade