Amigos amores e saudade

Janeiro se vai, este não volta mais. Sobrevoo mares e montanhas, vencendo tempestades pra encontrar, numa energia solar, todos que eu amo. São seus hoje, meu dia, pensamento e energia.
Cubro com ternura nossa amizade, nosso amor, únicos, permanecem na beleza que nasceu entre olhares e sorrisos. Saudade imensa. A eternidade é nossa. Os amo.
Todo amor para sua vida, a cada um.

Vôo da madrugada

Carros que chegam aos montes
preenchem os espaços vazios
no vai e vem notável entre faróis e lençóis
escurecendo a poeira escondida na noite
revelando sobre as sombras a fumaça
tanta gente que passa, outra gente que marca
tem graça, todo tempo do mundo no fim das horas
falta pouco para outro começo
Música e eu, a sós, procurando o que?
finas cordas que embalam minhas horas,
eu danço
No congo a minha pátria, amor sem preço
e volto aqui, pra saber de novo
medo armado, fio desencapado
que momento raro! Não sou mais um livro caro
tornei-me um daqueles de placebo
conhecendo muitos olhos, outras peles, corredeiras
Procuro a letra imortal, intensidade tal
música e eu, a sós
encontro singular, expressão das minhas verdades
meus espaços arquivados, entre lua e estrelas
acordando a escuridão, piscando entre o tudo e o nada
por um instante libertada
Pássaro, no vôo da madrugada

Start

Ouvir as próprias respostas
esmiuçar descobertas
fuçar pequenas frestas
perspectivas, pontos de vista
sentir o sangue correr, percorrer artérias
e as veias aquecer
Ferver, de raiva e de prazer
estar nu sem ser exposto aos olhos da maldade
o universo é o infinito, é cada um
atração, lei primeira, rio que deságua a beira mar
Mar que traduz a liberdade dos que podem voar
não há maneira de fugir, nem é preciso mentir
o start da mente alcança a consciência
antes mesmo dos passos alcançarem a esquina
A rua deserta e a mente desperta ensinam
meus extremos, intensos, atentos
ouvir as próprias respostas
opção sonora de bem viver

Janelas abertas

Novidade atravessada
velha calçada que suporta o peso
não reclama nem nada
concreto, areia e pisadas
Penso e não sei quando pulsa
a loucura
tristeza, procuro sua cura
Verdade, sem promessas nem juras
ciclos, e saturno finda em mim
novo início meio e fim
Abro janelas, e vôo além delas
a brisa arrepia todos os poros
novo instante contagia, me fascina
Bom para hoje é pouco
mais que ouro, meu tesouro
a novidade é o tempo, eterno e urgente
Planeta que encerra o ciclo, infinito
incontido calor, lua, chuva, mar, par
novo sorriso, luz para me alcançar

Necessidade

Fácil, não nada
foi como sufocar meu coração
da gigantesca vontade do amor
e aquele silêncio debilitou meus sentidos
calou a minha voz
até que a consciência acordou
soprou os guardados
sacudiu meu corpo ainda um tanto fraco

Fácil, não nada
foi como sufocar-me outra vez
sem eixo, vi a paz
necessidade pura
Sentimento,
entregue a deus, ao tempo
coração ao relento,
pulsando pouco agora espera

Só espera...

Passageiros

Quem somos afinal, vitimas?
conseqüencias! Dos outros até
mas mais de nós, daquilo que fomos
do que somos, ato e pensamento
caminhos, tantos que nem sempre sabemos
Qual o certo? Destino
_que eu quero ver as flores_
ou errando, pisando num emaranhado composto de mato
seco, contudo é fato: há lição por onde for
se amplia a visão, multiplica os tons
faz crescer a alma, acreditar na calma
sonhar tantos e tantos desejos
até enfim sabermos pra que viemos
por acaso, por missão...

... quem somos? o vazio, um turbilhão
complexo da total simplicidade
um tufão?
Passageiros é o que somos