Mar de encontro

Vontade louca de fugir
qualquer lugar dentro de mim
procurar abrigo
um abraço pra mim
amor

Minh’alma sedenta
frágil, exposta
me sinto ruir
a cria, precipício
esta morte um pouco minha
um rasgo

Líquido escorrendo
sem meios de impedir
Ahh, eu perciso ir
acordada
desperta, exausta
chegar no mar
oceanos sossegar
no leito da vida
nos braços de Jáh

Do escuro

Tenho nas mãos os sentidos
e só eles
estou a procura de luz
tateando o universo
que existe dentro e além de mim
Sangrando, é o momento
lanço-me
ultrapassando a dor
aprendendo a ilimitar
viver de fé
vencer a escuridão

Cura

Silêncio
lágrimas
não é nadah?!
Tantas razões
não há forma de transformar em palavras
só se pode chorá-las
desaguando rios, oceanos
libertando a alma para desafogar o coração

Eu sinto a tua dor...
...minhas preces voam
soam baixinho
pedindo pra Deus a cura
que lambe o sangue, a ferida
estende a mão, e tem poder
de fazer da pedra nascer o amor
em forma de flor
resistir a toda dor

Impacto, enfrenta
em frente.

Fraquezas, ô raça!

Fétida escrotidão, a falsidade
minha raça me expõe
me envergonha e despe
tira-me valores para mim viscerais
mata-me.
Meu protesto... o risco
eu me visto de pazzzzzzzz

Original

E
vivo o que tenho que viver
erro e acerto nos trajetos, verbos
objetivos diretos
objetos indiretos

Eu
sofro o que tenho de sofrer
e franca, gosto de desopilar
medo eu tenho daquilo que não posso conter
coragem pra arriscar
gosto de gostar
não existe metadear a realidade
ou é, ou não é

Me moldo me mantenho
vez ou outra sinto a correnteza a me levar
também sei o que é sentir a boca secar
A mesma, tranqüila, mudada
suave movimento
intensidade do voar
sigo
persigo sorrisos
esta hora não é de chorar
Sem ferir a dignidade
admiro quem tem o que dizer já no andar

Flores
cores tons e sabores que eu apresentar
sem grosseria, mas sem me evitar
a certeza que o acaso cruza os caminhos
e que tudo é destino
desgosto do meu egoísmo
mistério e revelar
troquei a acentuação
disponho-me ao sol, dispenso o prometeu
o meu e o seu

Produto o que?
original e a idéia do ser!
o que merecer receber e oferecer
na multiplicidade de ser

Nós

Ainda te vejo e sei
já não te quero mais
Desejo a gente não escolhe, acontece
a escolha é o permitir.
Quando gosto, eu gosto muito!
quando não, sinto muito
não forço.

Eu meu louco mundo
vôo sobre o precipício
o infinito, intocável
exravaso em choro
e transbordo em riso
no olhar um visgo
Distancia que não limita a novidade
enlaça sem prender
afaga sem tocar
me faz ficar

Palavras me despertam
portas abertas, sentimento
o que será?
sem medo da ilusão
sem válvulas, vulcão
Eu não sei não
deixando rolar
planejando sem me planejar
este risco me fascina e vc.

A real

Exercicio de polidez
adaptavel é a gente
escanteio à rispidez
virtude é pacienca
e carência,
solidão

Aceitar é um passo
sofrer um salto
aprender a lição
Não, eu não tolero falsidade
respeito é bom
faz bem pra cuca
evolução

Ser a sí, paz é deitar
e conseguir dormir

Achados

Sons ultrapassando a espuma
o ar da sala é feito fumaça
acinzenta a cor, afina
abre o pensamento
uma ideia arquivada

Cegos não escutam
o atento capta
O sentido, no fone de ouvido
lança aos 'mils'
efeitos da criatividade
para ouvidos pouco sensíveis
Somos muitos, somos raros
é a conquista divina da vida
groove, quem tem sabe como é

O poeta diz: ‘não passe pela nota sem ter prova, jamais’
tá valendo,
a música transforma
o amor renova
o sonho, sonha
a fé guia, consciencia e coração

A coragem vencendo o medo
Pássaro pequeno devorando o leão

Flores

Varrendo o quintal
Senti um eflúvio
Que vinha de longe
Uma fragrância desconhecida
Deixada no ar

Um vento leve soprou uma pétala
Que escorrendo meu rosto
Se lançou contra mim
Foi quando de repente me dei conta
De uma flora espalhada em meu jardim

Resisti, não quis olhar, não quis pisar
Mas, pensei e decidi
Esta é uma fina flor
Plantinha de cuidar
Vou regar, vou adubar

Arranquei-a, coloquei-a bem perto de mim
Separei o meu melhor xaxim
No cantinho da minha janela ela está
E cresce como um gerânio a cada luar

Rosa, Margarida,
Violeta, Tulipa,
Orquídea ou um girassol curumim?
Tem traços de mim, de nós

Damas da noite
Ao som de um odorante jasmim...
(rebeca maria)

Ir

Mudanças na linha desse trem
transformando em fortaleza
o que antes era tristeza
mudanças nos trilhos
na rota dos pais e dos filhos
transformando os lugares
seus rumos e lares
mudanças mutantes
não mudam como mudavam antes
Nossos passos são lentos
mas o ciclo é ligeiro como o vento
não nos trás nenhum alento
nos ensina até o sofrimento
Mudança que nos faz enxergar
a verdade de cada lugar
ensinando onde andar como pisar
quando sair e quando entrar
mudanças na estrada
ficar parado não serve de nada
pra que se prostrar se o bom da vida é andar?
Cada um em seu processo
nunca desistindo, insistindo
jamais fazendo o caminho de volta, caminhando
uma nova direção
O lindo horizonte olhando
Seja rindo ou chorando
A escolha é pessoal
mas a mudança, essa sim fundamental

(30/11/06 - 01:05hs)

Móbile

Eu desejo que o mal não me alcance
e revestido do bem volte
seja lá para quem!
Cálice,
enxarcado de sílabas engolidas
fura a bolha, expõe
dura raça de pedra macia,
tiro por menos os cortes
liberto a alma
Os pés no chão, a mente não
um tal ‘inadministrável’ no espaço
um raio suspenso
franqueado, teoria
sem ferir o tempo
numa boa, na pista
Original, do samba
de flor, perfume
Ontem passou, amanhã?!
nem chegou! Sopro de ar
móbile
O agora me importa
entorta o relógio das horas,
solto me perco
para encontrar quem sabe...

B e a Flor

‘O silencio sussurra
a letra e a pétala
na verdade de nós
o teu que me escuta
o meu, que já ouve a sua voz’

O tempo da noite

Hoje não haverá sonho na noite do meu mundo
só existe o extravazar
e no papel o meu será
encontrar as tais respostas
verdades
rotas, caminhos
tropeços
tombos... feridas que ficam
não cicatrizam.
Venha cedo dia
não demore é covardia...
essa noite longa não acaba
pra eu ver raiar o dia
que anseio
compreender melhor seus meios,
palavras, inteiros
Desabafo agora é pecado
furtaram meus segredos
roubaram até meus medos
agora o que resta é o tempo
que arrasta, passa lento
Vou
mesmo ao relento
antes do sol
nascendo
gritar ao vento o que não fiz

Não tenho sofrimento
neste sonho meu desejo é acordar
pra ver a verdade o sol clarear
a face
aquecer a vida, a moleira
quem está diferente
enganado pensando que sou assim
torpe e vil
a vida ensina e o tempo alinha
quaisquer erros e desníveis
Que existem em mim
me moldando e transformando
em abundância e fragrância
pra ser e sentir as mudanças que o tempo leva
e traz

(novembro/2006)

Despida

Momento louco
rasgada, fora a fora
eu, parida
Desconhecido novo ciclo
multidimensionado
vejo-me diferente
assim abertamente
nua

Tontura

A rima tá sem tom
Não encontro a nota
Quiçá a rota

Descaminho...