Para Mundu

Os vendavais às vezes se demoram por demais. Espalham os móveis, objetos, as memórias, nossos guardados, até a poeira nos cantos que nós mesmos esquecemos.
Ao sair deixam nossas ideias todas ali, soltas e desarrumadas. A ocasião torna-me cheio, pesado e sôfrego, com o impacto da saudade e dos vazios. Partes já desprendidas retomam meus espaços, as lembranças cortantes sangram já sem força, mas ainda dói, o suficiente para curar-me, até que vaze.
Entre momentos sinto uma sede absurda de vida, vontade me jogar num salto e voar...mas calma. Primeiro quero a leveza e essa eu vou beber aos poucos para prendê-la na minha parede mais densa, de gole em gole voltar a sentir-me folha para que flua.
E chegará, simples, a minha nova rota, o voo sobre a vida, meu ser de novo meu. Minha e minha.

A passagem


A dor vai se tornando saudade...
Deixa que escorra
toda gota que de tristeza evapora
A partida também é chegada
de um outro fragmento na estrada
A fé inabalável que alcança o infinito
Lança o grito de um agudo intangível
Silencia o vazio
A certeza que a vida se recria.

Crer

Depois do baque o vazio

De pé, recobrado fôlego, sorrir
Custe qualquer esforço. Sorrio,
Pra testar a minha fé,
Levantar a minha dúvida.
Experimento sem pena a consciência
Minhas entranhas,
Tudo que encontro nessa engolidora e
Voraz absorção do que procuro.

O riso não preenche o vazio

Rio pra captar a viga que sustenta
Os meus olhos, o meu ponto cego
Luz,
Que me liga ao infinito, o desejo de exercitar
Minha capacidade de continuar
Me atrever e ser feliz.



Refaça

Flua, ande, cante
Quebre os versos
Cole os cacos
Esqueça de esperar
Faça seu universo andar